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Meios de Comunicação Comunitários fortalecendo a voz da comunidade

Por Dara Bandeira, Landerson Soares e Monica Rocha - Colaboradores do Portal (Matéria escrita para o jornal "A notícia por quem vive")

Os meios de comunicação (ou mídias) comunitários têm um papel abrangente dentro da comunicação. Não só pelo fato de levarem informações às pessoas sobre a comunidade, mas também por criar uma nova visão e identidade para os que nela moram. Maria do Socorro, presidente da Associação Semente da Vida da Cidade de Deus (ASVI), destaca a importância de uma comunicação interna eficiente e de projetos que fortaleçam a voz da comunidade. Socorro, que é psicóloga, reforça a possibilidade de integrar todos os núcleos que possam existir dentro de um mesmo bairro.

“Eu, enquanto moradora da comunidade, sempre senti falta de uma comunicação eficiente, que nos diga o que está acontecendo aqui dentro. Muitas vezes, eu mesma, que por ser liderança participativa de reuniões, seminários, não sei o que acontece. Só fico sabendo depois ou na véspera. Por isso, acredito ser muito importante que as pessoas tomem conhecimento das atividades, para que possam levar para outras pessoas essas informações”, afirma a coordenadora do projeto que tem mais de oito anos de atividade na Cidade de Deus.

Os moradores das periferias sentem-se, por vezes, passivos em relação à informação. Não têm oportunidade de demonstrar um outro lado da verdade que é mascarada pelo jornalismo. As mídias comunitárias nascem como um mecanismo para que haja uma simplificação na forma de se comunicar.  Ter uma ferramenta para que as informações sejam produzidas e divulgadas pelas comunidades é um fator relevante. É o que acredita o estudante de Marketing, morador da Cidade de Deus, Renato Gardel. 

Renato afirma que “é importante para a comunidade mostrar a sua voz, essa é uma das formas de mostrar as coisas boas que muita gente não conhece, mas que existem dentro da comunidade. É a forma legítima de expressão e de formação de identidade, além de ser um ótimo exercício da cidadania”.

Aqueles que integram e participam de mídias comunitárias ganham uma visão mais crítica do mundo atual, principalmente quando se trata dos meios de comunicação de massa. Passam a não aceitar como verdade tudo que é pautado e discutido na televisão, no rádio e nos jornais. Ganham vontade de reproduzir, pela vivência, tudo aquilo que possa ser de interesse comum a uma outra pessoa. Ganham, também, subsídios para refletir sobre o que se tem dentro da comunidade. Além disso, têm a oportunidade de fazer o próprio estilo de comunicação. É o que afirma Gizele Martins, editora do jornal ‘O Cidadão’, produzido na favela da Maré, Rio de Janeiro, há 11 anos.

Gizele diz: “Jornal Comunitário se faz com o que vem da alma, com o que vem de dentro, dos sentimentos, da vida, do dia a dia de uma favela. Ele nos ajuda a reafirmar a nossa identidade local, a nossa identidade cidadã, e daí nos reconhecemos como pessoas iguais, que sofrem e passam pelos mesmos problemas e situações. Daí lutaremos juntos por um outro mundo, por um mundo que de fato nos sirva. Acredito na comunicação como forma de mudança social, porque é por meio dela que o povo pode soltar a sua voz e dizer: Eu quero mudar, eu quero os meus direitos garantidos!”. 

A produção de informação e conteúdo através da internet também é algo que se faz extremamente necessária atualmente, devido ao fato de alguns meios de comunicação sofrerem um monopólio sem igual. É o caso, por exemplo, dos canais de televisão, que necessitam de concessões públicas para irem ao ar, isto é, é preciso uma autorização judicial para ter o domínio de um determinado espaço na TV. No caso do Brasil, o que agrava mais esse monopólio é o fato de as concessões estarem nas mãos de pouquíssimas famílias que representam, por vezes, apenas os próprios interesses. Em contra-partida, organizações populares com milhares de membros, associações de trabalhadores, estudantes, bairros e “afins”, não têm direito a transmitirem ao restante da população uma opinião sobre determinados assuntos. 

As novas mídias, especialmente os portais, blogs e as redes sociais, criam mecanismos muito mais diretos no relacionamento entre as pessoas. Elas permitem segmentação e personalização, podendo seguir os padrões criados pelos próprios administradores. Tudo isso com um custo muito mais baixo do que as mídias tradicionais (TV, rádio e jornal). Acessíveis a grande parte das pessoas, não há motivos para não participar e colaborar dentro das próprias possibilidades e limitações.

 

Meios de comunicação comunitária ou alternativa na internet:

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