MINHA CULPA
Poesia do morador Carlos Ferreira sobre culpa.
Por Carlos Ferreira
“Minha culpa, minha culpa, minha culpa e minha máxima culpa”.
Assim se expressou um Imperador, ao reconhecer seus erros, e mais ainda ao constatar que durante o seu reinado nada fez em benefício do povo que governava.
Assim considero minha existência.
Nada fiz de útil e sou hoje cobrado pelos erros praticados, pior, não sei como me defender, ou melhor, só ouço acusações e fico pasmo como uma pessoa nada fez de bom que possa ser considerada útil para alguma pessoa.
Quando olho para dentro de mim, surpreendo-me com minha falta de preparo e discernimento para não prever um destino tão duro e difícil de suportar.
Sinceramente, como gostaria de pelo menos minorar os males que pratiquei contra pessoas que deveriam ser amadas e bem tratadas.
No meu íntimo, sinto o peso agora quando meus erros são atirados no meu rosto, aceito sugestões de como minimizar estas dores sentimentais.
Mas, se você vai me sugerir “peça desculpas”, eu já o fiz, se vai me sugerir “peça perdão” eu também já pedi, e até o momento, não fui desculpado e nem perdoado, o que me resta fazer ?
Ser efetivamente punido.
Mas acredito que a punição seja de tal maneira sentida por mim, como uma lembrança eterna que eu enquanto viver saiba o mal que pratiquei contra pessoas maravilhosas sem pecados e sem erros.
Só não desejo que a punição se torne um cotidiano de uma lembrança doída, que sangra a todo momento, distribuindo dores atrozes para os dois lados de um interminável sofrimento.
Estou aqui pronto para receber o meu castigo pagando integralmente munha divida.
Assinado,
O pecador.
Carlos Ferreira
Morador da Cidade de Deus há 43 anos

